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Lençóis Paulista Feito à Mão - Por Antônio Marcos Artesão

As feiras livres do Nordeste são grandes espaços livres, de encontros das pessoas todas as classes sociais e etnias, com diversos produtos, e onde a arte está sempre presente. Esse colorido ganha espaço em Lençóis Paulista através das peças do mestre artesão e artista plástico, Antônio Marcos da Silva. Ele é natural de Caruaru, Pernambuco, mas desde a adolescência vive no estado de São Paulo. Por volta de 2014, mudou-se para Lençóis Paulista com a família. Além de manifestar sentimentos, expressões e sua bagagem cultural através de suas peças, também é professor. Ele ensina suas técnicas em sala de aula e também em oficinas que realiza em parceria com a Secretaria de Cultura.

Antônio Marcos é um dos artesãos cadastrados juntos à Secretaria de Turismo e participa ativamente dos programas e ações promovidos pelo órgão.

Ele conta que primeiro começou confeccionando esculturas de barro, ainda criança, em Caruaru. “Meu encantamento vinha com os brinquedos. Naquela época não se falava em brinquedos sustentáveis, feitos de lata, madeira, e os bois de barro e o artesanato de barro, além dos utilitários. Eu ficava encantado com aquilo. Eu morava em sítio. Quando chovia – que era muito raro – eu conseguia detectar as jazidas de barro. E eu utilizava esse barro para confeccionar os meus bois, os meus brinquedos, ainda criança mesmo”.

A curiosidade muitas vezes define um artista. Como o barro no sítio onde residia durante a infância era muito escasso, logo descobriu outra matéria-prima: o papel. “Meus pais traziam as coisas embrulhadas nesse papel craft e jornal. E fui tentando desenvolver alguma habilidade com o papel. Que não era tão abundante, mas era acessível”, e assim desenvolveu sua própria técnica de esculturas no papel, e que hoje define o seu trabalho.

“Sempre fui muito curioso. Sempre que vejo algo que me interessa, digo: isso eu consigo fazer. Mas não é fazer no sentido de imitar. É mais de inspirar. As minhas referências são os Mestres do Barro e eu faço questão de ressaltar isso. Durante toda a minha vida eu entrei nos ateliês e fui aprendendo ouvindo e conversando com eles a como montar e criar artes. A medida que eu fui circulando, fui desenvolvendo a minha própria técnica. Hoje em meus projetos, eu uso materiais como jornais, revistas, papelão, a cola eu faço com farinha de trigo, amido de milho e às vezes polvilho azedo. Um processo bem sustentável e pouco agressivo”.

O resultado é diverso. Vão desde imagens de inspiração sacra, que remetem ao bronze, mas também com inspiração em outras matrizes religiosas, afinal, como o próprio artista diz, “não podemos negar a nossa ancestralidade. Outras peças são puro colorido e originalidade, como os calangos (alguns em versões psicodélicas), bonecos e balões que remetem à tradição nordestina.

Antonio Marcos é viciado em aprender. A sua primeira formação foi em Comunicação Social: Publicidade e Propaganda. Como tinha objetivo de lecionar em uma faculdade, fez pós-graduação em Sociologia e Psicanálise. Trabalhou por muito tempo com pesquisa de mercado, chegou a ter uma empresa nesse segmento, mas nunca deixou de trabalhar com a arte. Quando se mudou para Lençóis, começaram a surgir várias oportunidades na área da Licenciatura. Então cursou a faculdade de Letras e Pedagogia para ser habilitado nessa área e, posteriormente, concluiu a faculdade de Artes Visuais, também com habilitação em Licenciatura.

“Hoje eu dou aula na escola do Estado, o que é muito bom pois um dos meus propósitos com a arte é popularizar ela dentro das escolas públicas, mostrando como a cultura popular é riquíssima e como a gente pode discutir as formas de se pensar a arte para desenvolver um senso que ajude a valorizar os artistas e os objetos produzidos. Hoje a arte toma o meu cotidiano todo e eu consigo aliar a minha bagagem teórica com a prática, fazendo a parte mais importante que é a de repassar todo esse conhecimento que eu obtive”.



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