Lençóis Paulista Feito a Mão - Por Cris Bordados

Para mostrar a variedade, beleza e autenticidade do artesanato lençoense, bem como de sua importância econômica, cultural, socioambiental e histórica, damos sequência à série de reportagens que mostram a trajetória dos artesãos lençoenses e o que produzem. O projeto teve início em 19 de março – Dia Nacional do Artesão – como uma iniciativa da Secretaria de Turismo, que tem por objetivo mostrar como é rico, variado e tradicional o artesanato de Lençóis Paulista.

Você já pensou em toda a cadeia produtiva que o artesanato movimenta? O produto final que você leva para casa ou presenteia alguém envolveu a produção de tecidos, linhas, pincéis, agulhas, cola, papel, instrumentos e até maquinário. Isso sem contar a comercialização desses itens para os artesãos nas papelarias e armarinhos. Esse círculo de relações comerciais, e até mesmo pessoais, nunca para.

Hoje vamos contar a história da Cristiane Magdaleno de Alcântara Correia. Ela divulga seus trabalhos nas redes sociais como Cris Correia Bordados. Como a própria alcunha entrega, ela é especialista em ponto cruz. A técnica vem carregada de tradição e memórias familiares e personifica o amor pela cidade onde nasceu: Lençóis Paulista. Para ela, acreditar no artesanato também representou uma fonte de renda e uma atividade onde ela pode canalizar toda a sua criatividade.

“Eu comecei a aprender quando tinha nove anos, no Centro Educativo da Cruzeiro, com a professora Angela. E aprendi várias modalidades de artesanato: boneca de lã, cestinha de jornal, o crochê e o ponto cruz, que foi sempre o que mais me identifiquei”, recorda. “Inclusive, o bordado traz uma memória afetiva muito importante do meu avô, que me incentivou muito a aprender e me ajudou a comprar os primeiros materiais, e da minha avó, que também era artesã”, completa.

Cris conta que sempre bordou toalhas e outros itens para a casa da mãe, ou para presentear amigos e familiares, enxergando a atividade mais como um hobby. Assim ela seguiu a vida, exercendo outras atividades. Até que um dia, ouviu de uma colega de trabalho, a sugestão de vender seus produtos. Isso aconteceu há uns 20 anos. A sugestão não foi seguida de imediato. Cris conta que passou por outros empregos, fez novos cursos, ampliou a família – ela é casada e tem três filhas - até que um dia, lembrou do conselho e decidiu segui-lo. Colocou alguns bordados numa rede social e os clientes começaram a aparecer.

“Nessa época eu nem sabia direito como vender, como colocar preço, mas os clientes começaram a procurar e alguns seguem fiéis até hoje. Comecei a buscar informações sobre como precificar os produtos, como apresentar nas redes sociais. Fiz e faço vários cursos no Sebrae online. Inclusive no ano passado tivemos um trabalho de extensionismo, com apoio da Unisagrado, que foi muito importante para nós artesãos. Nós temos que buscar o aperfeiçoamento, sempre”, avalia.

Uma das características dessa artesã é prestar atenção ao que está a sua volta. Por isso, mais do que atender pedidos, Cris, como artesã, sempre se preocupou em criar produtos que tivessem identidade com suas raízes, tradições da família e da cidade. Certa vez ouviu de um conhecido que o município carecia de souvenirs que remetessem exclusivamente à cidade. Assim, Cris voltou-se para produtos que retratam os pontos históricos e que declaram o amor pela cidade. Esse trabalho autoral e original está estampado em chaveiros como o “Eu amo Lençóis” e do Santuário Nossa Senhora da Piedade.

“Eu posso bordar qualquer produto, mas o chaveiro foi aquele que eu parei, pensei e me identifiquei mais, foi com o letreiro 'Eu amo Lençóis'. Sou nascida em Lençóis. Meus pais vieram para cá e construíram a vida aqui. A ideia é que as pessoas que visitam Lençóis levem um produto que tragam a memória da cidade”, conclui.